Em defesa do Parque Natural Sintra-Cascais

quarta-feira, julho 28

Direcção Geral do Turismo (insustentável) ignora Ambiente

Áreas de protecção natural do Parque Natural Sintra-Cascais poderão vir a ser sacrificadas com dezenas de empreendimentos

O Movimento Cívico em Defesa do Parque Natural de Sintra–Cascais teve acesso a uma lista de mais de 30 empreendimentos turísticos e imobiliários que obtiveram parecer favorável da Direcção Geral de Turismo (DGT) para avançar nesta Área Protegida.
Muitos destes empreendimentos situam-se em áreas naturais sensíveis do PNSC, incluindo Zonas de Protecção e Sítios da Rede Natura 2000.

Entre estes, volta a estar, por exemplo, a ameaça de avançarem mais construções na zona da Penha Longa (Sintra) e no Abano (Cascais), onde poderão estar a ser repescados os empreendimentos Malveira Guincho e Marinha Guincho (hotel, campo de golfe e aldeamento turístico). Em Cascais estará para arrancar a construção do empreendimento Alto do Pinhal II (no Pinhal da Bicuda).
Foram já sacrificadas locais de grande valor para a Conservação da Natureza, para a construção de projectos imobiliários de 1ª e 2ª habitação, aprovados sob o pretexto de se tratarem de empreendimentos de interesse turístico.
Recordamos que os empreendimento turísticos no Abano estiveram na base da Petição com mais de 16 000 subscritores através da qual foi solicitada a proibição da construção em áreas sensíveis do PNSC (entregue em 2000 mas só discutida na Assembleia da República no passado 2 de Março, tendo os partidos do Governo garantido que a questão ficaria definitivamente acautelada no novo Plano de Ordenamento).

Porém, e ao contrário do prometido, a construção em áreas naturais que “violam” o regime de protecção previsto no novo Plano de Ordenamento poderá vir a ser “legalmente viabilizada” graças a um “regime transitório” acrescentado ao regulamento deste Plano, já depois de decorrida a fase de Discussão Pública do mesmo. Esta adenda ao regulamento permite aprovar certos projectos turísticos que sejam considerados “estruturantes” pelo Ministério do Turismo.

Neste Dia Mundial da Conservação da Natureza, o Movimento Cívico em Defesa do Parque Natural de Sintra –Cascais apela ao Governo e aos Presidentes das Câmaras de Sintra e Cascais, para que se comprometam na defesa do futuro desta que é a maior Área Protegida da Área Metropolitana de Lisboa e uma das mais importantes do País (parcialmente classificada pela UNESCO como Património da Humanidade), mas também das mais ameaçadas.

E que estas entidades assumam o compromisso público da não aprovação de mais empreendimentos nas áreas de Protecção do PNSC, e não cedência aos lobbies dos sectores do imobiliário e do turismo.


A Coordenação do MCDPNSC

1 Comments:

  • Durante a elaboração do Plano de Ordenamento os representantes da DGT na comissão técnica de acompanhamento pareceram sempre mais preocupados em garantir os interesses dos grandes promotores imobiliários do que promover um modelo de Turismo Sustentável para o PNSC.
    Parece que os responsáveis da DGT continuam fiéis à abordagem de turismo predatório que delapidou a paisagem Algarvia e se repete agora na Costa Vicentina.
    Quantos anos teremos de esperar para este Sr.s técnicos e políticos interiorizarem a lição da Galinha de Ovos d'ouro?
    E defenderem as orientações próprias já aprovadas pelo ICN para a promoção desta actividade, necessária e passível de ser ecológicamente sustentável, com uma verdadeira visão de futuro para o desenvolvimento do País e valorização das suas Áreas Protegidas?

    By Anonymous olhovivoambiente, at dezembro 11, 2006 1:12 da tarde  

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